sábado, 7 de maio de 2011

É me achando, que me perco!


Eu contorno os corredores que me levariam até você. Evito as portas. Ignoro as placas. Mas seu sopro me alcança, um vendaval tomado pelas folhas secas do outono que preenchia a moradia dos nossos sentimentos me toca, e eu perco meu rumo. Fora de rumo eu não me reconheço. Alternando entre os mais adoráveis e os mais doentios desejos eu vou pisando e destruindo a linha que separa as más das boas ações.
‎- Aonde você quer chegar? – Eu repito para o reflexo na janela quando minha pupila volta ao seu tamanho normal. Mas e agora? O silêncio reina e me consome, e eu acendo outro cigarro antes de lembrar que nunca fumei. E, engulo mais uma grande dose de vodca sem gelo, antes de lembrar que odeio o gosto que ela tem. 
E é só quando o chão está em minhas costas e o céu à minha frente, é que eu retomo meu rumo.

Mas ludibriadamente consciente eu sei que é cedo demais para parar e, conforme dita o clichê, é obviamente tarde demais para desistir de novo.

- Aonde você quer chegar mesmo?