sábado, 7 de maio de 2011

É me achando, que me perco!


Eu contorno os corredores que me levariam até você. Evito as portas. Ignoro as placas. Mas seu sopro me alcança, um vendaval tomado pelas folhas secas do outono que preenchia a moradia dos nossos sentimentos me toca, e eu perco meu rumo. Fora de rumo eu não me reconheço. Alternando entre os mais adoráveis e os mais doentios desejos eu vou pisando e destruindo a linha que separa as más das boas ações.
‎- Aonde você quer chegar? – Eu repito para o reflexo na janela quando minha pupila volta ao seu tamanho normal. Mas e agora? O silêncio reina e me consome, e eu acendo outro cigarro antes de lembrar que nunca fumei. E, engulo mais uma grande dose de vodca sem gelo, antes de lembrar que odeio o gosto que ela tem. 
E é só quando o chão está em minhas costas e o céu à minha frente, é que eu retomo meu rumo.

Mas ludibriadamente consciente eu sei que é cedo demais para parar e, conforme dita o clichê, é obviamente tarde demais para desistir de novo.

- Aonde você quer chegar mesmo?

quarta-feira, 2 de março de 2011

Querido 'DIA'!

Há quem, numa conversa com a gente, coloque o dedo num ponto central que estávamos guardando como segredo o tempo todo. Simplesmente não queriamos falar a respeito.
O sujeito não afirma frontalmente. Algumas pessoas ainda se importam com o 'como falar' e, para não parecer por demais antipático nem causar excessivo constrangimento, coloca no bolso do seu casaco a letra de que lhe desnudou diante de você mesmo. De fato, você até tinha a bola dominada, mas ele a roubou de você - numa boa - com um drible arguto que o deixou sentado no gramado.
Há também quem, numa conversa, coloque o dedo num ponto sobre o qual não estávamos nos dando conta. Quando isso acontece, sacamos ali que o sujeito simplesmente enxergou primeiro algo que nós inexplicavelmente não estávamos vendo. Não sabemos direito, numa situação assim, se agradecemos o sujeito ou o odiamos por isso. Faz-se ali a luz - sorry! Graças a ele, não a você.
Por fim, há ainda quem, numa conversa com a gente, diga algo, solte uma frase que só vamos entender mais tarde. Na hora, aquilo não faz sentido. Não encaixa, nosso radar não capta, nem sequer compreendemos (porque não estamos preparados para entender aquela mensagem ali, de improviso).
Quando não somos 'pegos de surpresa', quando não necessariamente precisamos de alguém para 'fazer a luz', ou quando verdadeiramente entendemos a mensagem no exato momento em que ela precisa ser compreendida, ficamos contentes e achamos que aquilo faz parte de mais um dos nossos 'dias bons'. No entando, quando os resultados não são tão positivos quanto o esperado, colocamos a culpa 'no dia ruim'. A lua ou outras forças sobrenaturais, como deuses, não estão 'in a good mood' e, portanto, todas as coisas ruins estão destinadas a acontecer nesse dia.
Porém, eis o ponto: um dia horrível está sempre dentro de nós. Ele não está localizado nos outros (tenho que repetir isso 100000000000x por dia!) -- por mais vis que eles sejam. Nem no mundo ao redor -- por mais torto que ele se apresente. Nem ainda, no dia em si -- por mais feio que ele nos pareça. Porque, quando você está inteiro, centrado, focado, de bem consigo mesmo, tudo pode ruir ao redor. A sua paz interior estará razoavelmente defendida. E isso BASTA!
Moral da história: tem gente por aí bem mais inteligente que eu...mais inteligente que você! Sempre tem! Não sejamos burros a ponto de ignorar isso. Nem de deixar de tirar todo o proveito que pudermos desses aprendizados! Aproveite a sabedoria das pessoas, e construa a sua própria.. E, lembre-se: é você, quem 'qualifica' o dia de hoje. Só você!

Beijos.